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O papel dos patos na patacoada do Pix

A era da hiperconexão faz a velocidade da informação superar muitas vezes a capacidade de raciocínio crítico. E foi exatamente essa lógica que transformou um simples ajuste técnico da Receita Federal em uma "ameaça" fictícia contra o Pix. Tudo ganhou tração graças a vozes influentes e inflamadas que jogaram dúvidas sobre a medida, entregando uma ideia de bandeja para os alarmistas criarem a história de que o governo planejava taxar transferências via Pix. 


O efeito dominó foi imediato: redes sociais explodiram e parte significativa da população (87%, de acordo com pesquisa da Quaest divulgada esta semana), embarcou em uma narrativa que só não pode ser considerada sem pé nem cabeça porque recentemente a promessa não foi cumprida em outra questão e a administração busca desesperadamente compensações para seus gastos.


Mas como chegamos a esse ponto? A instrução normativa revogada previa algo simples: alinhar o monitoramento do Pix ao de outras transações financeiras como TEDs, Cartões de Crédito e DOCs (este até fevereiro do ano passado, quando foi descontinuado), sem qualquer novidade prática para o contribuinte. A medida até reduziria o volume de transações reportadas, tornando o trabalho da Receita mais eficiente. Mesmo assim, a ideia de um “imposto sobre o Pix” ganhou força, alimentada por desinformação, teorias conspiratórias e pela incapacidade de distinguir fatos de boatos em um ambiente digital saturado.


A patacoada chegou ao ápice quando o governo, diante da pressão social e política, decidiu revogar a instrução. Em vez de melhorar a fiscalização e fechar brechas para fraudes, voltamos às regras anteriores, menos eficientes. É a vitória da histeria coletiva sobre a racionalidade técnica.


E qual o papel dos “patos” nessa história? São aqueles que, diante de um vídeo alarmista ou de uma manchete sensacionalista, compartilham a informação sem questionar sua veracidade. É a multidão que reforça o eco de uma mentira e, sem perceber, prejudica a si mesma. Não é a primeira vez que isso acontece, nem será a última. O mesmo já ocorreu em outras áreas da vida pública e privada, desde debates sobre vacinas até questões ambientais e econômicas.


O erro coletivo de julgar sem entender prejudica a todos. Não são apenas os “patos” que perdem – é o país inteiro. A lição que fica? Que mais uma vez a responsabilidade pela verdade deve ser dividida entre todos nós. Não basta clicar em “compartilhar”; é preciso verificar. Não basta reagir; é necessário refletir. E, acima de tudo, precisamos lembrar que um boato repetido mil vezes continua sendo um boato. Que o episódio do Pix sirva de alerta: a ignorância viral é o maior inimigo da evolução social.



 
 
 

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